Virologista chinesa defende que coronavírus não vazou de laboratório

Nas últimas semanas, discussões sobre a possível origem do coronavírus SARS-CoV-2 foram retomadas, como a teoria de que o vírus tenha vazado de um laboratório. Isso porque a pandemia da COVID-19 começou na cidade de Wuhan, na China, onde está localizado o Instituto de Virologia de Wuhan (WIV). Este centro de pesquisa, por sua vez, investigava os coronavírus e contava com a presença da virologista Shi Zhengli, que nega a possibilidade.

O responsável por reacender os debates sobre a origem do coronavírus foi o presidente norte-americano, Joe Biden, que solicitou para que as agências de inteligência do país conduzissem uma extensa investigação sobre o tema. Até o momento, não há nenhuma prova concreta do possível vazamento. A ideia mais aceita é de que o SARS-CoV-2 passou entre espécies diferentes de animais antes de chegar aos humanos, de forma natural.

De acordo com algumas especulações, a virologista Shi conduzia experimentos com coronavírus, encontrados em morcegos, no laboratório de Wuhan. No entanto, esses estudos não eram seguros o suficiente para garantir que o agente infeccioso não vazasse. Outra corrente de suspeitas pede por transparência nos relatórios dos primeiros casos da COVID-19 no país, sugerindo que infecções precoces foram relatadas entre pesquisadores do próprio instituto.

No entanto, a pesquisadora nega todas as acusações e defende a reputação do laboratório e, por extensão, de seu país. Contatada pela equipe do jornal The New York Times por telefone, Shi perguntou como ela poderia oferecer evidências de algo sobre o qual não há evidências. Além disso, escreveu: “Não sei como o mundo chegou a isso, despejando imundície constantemente sobre uma cientista inocente”.

Em outra entrevista por e-mail, a virologista denunciou as suspeitas de vazamento como infundadas, incluindo as alegações de que vários de seus colegas estiveram doentes antes do surgimento do surto da COVID-19. Quando perguntada se o laboratório continha alguma fonte do novo coronavírus antes da eclosão da pandemia, a resposta foi não.

Nas investigações sobre a origem do coronavírus, um ponto que chama atenção é a viagem de uma comitiva de pesquisadores da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a China no começo deste ano. O objetivo da missão, acordada com o país asiático, era estudar as potenciais origens animais do coronavírus, mas não incluiu uma auditoria ao laboratório do Instituto, por exemplo. Além disso, os pesquisadores visitantes não receberam os dados epidemiológicos completos sobre os cerca de 170 casos iniciais da COVID-19 no país.

Talvez, a maior questão ainda seja que não foram encontradas evidências do exato caminho que o coronavírus percorreu até chegar aos humanos. Independente dessas suspeitas, a ideia ainda mais aceita é de que o vírus tenha sido transmitido, originalmente, de um morcego para um animal ainda desconhecido e, por fim, chegou até a espécie humana. 

No entanto, as barreiras que a China, supostamente, impõe para uma investigação independente no laboratório ou ainda a dificuldade em compartilhar dados sobre a pesquisa aumentam as incertezas sobre o caso. Inclusive, geram inúmeras teorias da conspiração sobre o tema, que permanece um mistério.

Fonte: NYT  

Informações extraídas do site CanalTech
https://canaltech.com.br/saude/virologista-chinesa-defende-que-coronavirus-nao-vazou-de-laboratoriod-187566/
Autor: Fidel Forato

Fidel Forato

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