GUIA DO BRASILEIRÃO: L! traça um panorama dos 20 técnicos da Série A

Muitas caras já são conhecidas dos torcedores. Mas não faltam desafios Aos treinadores dos 20 clubes do Campeonato Brasileiro de 2021. De quem chega À competição com moral após títulos estaduais até os “novatos” (inclusive vindos do exterior), a precisão na escolha do profissional se tornou outro ponto relevante. Afinal, esta é a primeira edição na qual há restrição no número de troca de técnicos por clube.  

– Os clubes devem ter sempre a responsabilidade de contar com um treinador que se encaixe com o perfil do elenco, com os propósitos da diretoria, com questão orçamentária. Isso deve existir independentemente de regra. Mas, neste ano, estas questões tornam-se ainda mais importantes, mais valiosas, pois a margem de mudança é muito menor em função do novo regulamento. Faz-se muito necessária a boa escolha do comandante – detalhou o mandatário do Fortaleza, Marcelo Paz, ao LANCE!.

O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, também demonstrou tranquilidade diante da mudança, que foi decidida em votação apertada entre os times da Série A

– Olha, como a regra foi decidida com antecedência, ninguém será pego de surpresa. A regra volta suas atenções para saídas por demissão, não considera por exemplo, quando o técnico decide sair por opção própria. No Grêmio, planejamos trabalhos a longo prazo. O Renato (Gaúcho) trabalhou por mais de quatro anos (quatro anos e sete meses). Não estou preocupado – assegurou. 

“QUARENTÕES” COM MAIS ESPAÇO

O Brasileirão terá neste início a presença maciça de treinadores na faixa dos 40 anos. O centro das atenções é Rogério Ceni. Aos 48 anos, ele vem de uma Supercopa do Brasil e de um Carioca, e agora tentará seu bicampeonato particular pelo Flamengo.

Os rubro-negros, que mantiveram boa parte do elenco de alto patamar, ainda podem conquistar pela primeira vez em sua história o tricampeonato consecutivo do Campeonato Brasileiro (repetindo o feito do São Paulo de 2006, 2007 e 2008, no qual jogava o próprio Ceni). 

Há 12 “quarentões” neste Brasileirão. O grupo abrange desde Lisca, de 49 anos, responsável por comandar o América-MG nesta luta por se manter na elite,  até a dupla Tiago Nunes, do Grêmio, e Umberto Louzer, do Sport, ambos com 41.  

‘MEDALHÕES’ DE FORA

Alguns nomes muito prestigiados estão na lista de ausentes neste primeiro momento. Entre eles, Vanderlei Luxemburgo, que não evitou o rebaixamento do Vasco em 2020, e Luiz Felipe Scolari, que em seu trabalho mais recente manteve o Cruzeiro na Série B. Outro nome também fora dos gramados é Dorival Júnior, que no ano anterior esteve à frente do Athletico-PR.

Abel Braga, treinador do Internacional no vice-campeonato brasileiro de 2020, também não assumiu nenhuma equipe. Curiosamente, seu sucessor é o comandante mais jovem no momento no Brasileirão: Miguel Ángel Ramírez, de 36 anos.

Vice de futebol do Colorado, João Patrício Hermann minimiza que o clube tenha buscado um técnico jovem.

– Tanto faz se é um treinador com mais ou menos experiência. O importante é o trabalho desenvolvido, é a forma com que ele está integrado com sua diretoria, como é planejado o trabalho dele e da sua comissão técnica – ressaltou. 

Entre os rodados mais badalados, quem segue em cena é Cuca. Responsável por levar o Atlético-MG neste ano ao título estadual e a uma campanha promissora na fase de grupos da Copa Libertadores, ele é o “veterano” entre os comandantes desta edição.

Com 57 anos e o posto de técnico campeão da Libertadores de 2013, caberá a ele, em sua nova passagem no Galo, levar a equipe ao tão esperado bicampeonato nacional.

MESMO COM NOVA REGRA, ANSIEDADE É POR UMA CONTINUIDADE

A edição de 2021 também deixa nítida a dificuldade para os técnicos garantirem um trabalho de longo prazo. Quem está há mais tempo na frente de um clube é Lisca, que assumiu o América em janeiro de 2020, na Série B, e levou a equipe ao acesso.

Já Guto Ferreira é o técnico que está há mais tempo entre os clubes que no ano passado disputaram a Série A. O treinador detalhou o que tem sido relevante para estar à frente do Ceará desde março de 2020.

– Acho que responsabilidade temos sempre, independentemente de estarmos há mais ou menos tempo em um clube. Conseguimos esta sequência pois fomos escolhidos para desenvolver nosso trabalho dentro de um projeto sério e as coisas vêm se encaixando. No diálogo com o clube, as coisas vêm fluindo. Mas lógico que queremos muito mais – afirmou.

O treinador de 55 anos (que, ao lado de Cuca, forma a lista dos “cinquentões”) adotou o tom otimista em relação às restrições impostas pela CBF quanto às mudanças de comandando.

– A regra pode nos fortalecer, pois estamos reclamando da continuidade. Ao ter sequência, veremos o que cada um está conseguindo à frente do seu clube – afirmou Guto, fazendo a ressalva:

– Lógico que não é só competência do treinador. Há a parte estrutural, a montagem da equipe e uma série de fatores que influenciam. De qualquer forma, estamos em uma situação melhor, pois muitos trabalhos que vinham em boas condições eram interrompidos. Agora, as pessoas vão pensar duas vezes antes de trocar – completou.

COMANDANTES COM VIVÊNCIA TENTAM SE FIRMAR DE VEZ

A atual safra apresenta técnicos “rodados” que lutam para se redimirem após um 2020 oscilante. O Grêmio depositou as fichas em Tiago Nunes, que tem em seu currículo títulos da Sul-Americana de 2018 e da Copa do Brasil de 2019 pelo Athletico-PR.

– Tiago Nunes já teve uma passagem muito boa na nossa base e poderia até ir para a equipe transição. Porém, optou por seguir sua carreira e teve grandes trabalhos no Athletico-PR, onde foi campeão de torneios importantes, e depois foi para o Corinthians, que levou a uma final do Paulista. Já conhecíamos seu preparo físico e intelectual – disse o presidente do Tricolor gaúcho, Romildo Bolzan Júnior, destacando::

– Conversamos por algumas horas, alinhamos algumas coisas. Tudo bateu em cheio com o que queremos para o nosso projeto – completou.

O dirigente é categórico sobre as pretensões gremistas

– Desde a primeira rodada, o Grêmio vai entrar neste campeonato para lutar para terminar o Brasileiro campeão. 

Após Estaduais por Atlético-MG e Bahia, Roger Machado tenta alçar voo mais altos no Fluminense. Porém, nas Laranjeiras o comandante tenta se equilibrar entre fazer uma boa campanha no Brasileirão e ir bem nas próximas fases da Copa Libertadores.

Fernando Diniz é outro nome em busca de afirmação. Três meses depois de sua demissão no São Paulo, ele aceitou o convite do Santos e desembarcará na Vila Belmiro para tentar levar a equipe o Peixe às primeiras colocações do Brasileirão. Em um período de baixas importantes e de ressaca de eliminação na Copa Libertadores, não faltará trabalho ao comandante.

CARAS NOVAS ENTRE OS ESTRANGEIROS

O sonho de fazer uma boa temporada fez com que clubes atravessassem fronteiras em busca de um novo treinador. O único que se manteve no cargo foi Abel Ferreira, campeão da Copa Libertadores e da Copa do Brasil de 2020 pelo Palmeiras e com um elenco forte para, em 2021, alcançar o título nacional.

Entre as novidades, Hernán Crespo é um dos comandantes que chegam ao Brasileirão de 2021 cotados de acirrar a briga pela ponta, em especial pelo elenco que tem nas mãos. O argentino tirou o São Paulo de uma fila de 15 anos no Campeonato Paulista e levou a equipe a boas atuações tanto no Estadual quanto na Copa Libertadores.

Outro comandante que rende muita expectativa é Miguel Ángel Ramírez, designado para comandar o Internacional. O vice de futebol do Colorado, João Patrício Hermann, enumera como o espanhol pode fazer com que a equipe se imponha em campo.

– É uma experiência acadêmica de uma outra escola de treinadores que aprimora nosso conhecimento. Não tenho dúvida que desse novo futebol nivelado, quanto mais integrado, atento aos detalhes, mais atualizado a tudo do extracampo ajuda a termos um rendimento melhor no desempenho do equipe – detalhou o dirigente.   

A opção por Juan Pablo Vojvodja expõe outro traço do futebol brasileiro. Ao falar do responsável por comandar o Fortaleza no título cearense, o mandatário Marcelo Paz detalhou.

– A gente buscou treinadores nacionais antes da vinda do Vojvodja e houve uma negativa. Na hora em que o treinador nacional se nega a trabalhar em um clube do país, por qualquer motivo que seja que a gente tem de respeitar, abre caminho para que um treinador estrangeiro chegue. Mas depois não pode reclamar que os estrangeiros estão ocupando espaço – disse.

Paz contou como os comandantes veem o futebol nacional.

– O que a gente sente nos treinadores estrangeiros é um grande desejo de trabalhar no Brasil, de estar na pátria do futebol, de trabalhar com o jogador brasileiro, que eles consideram o mais talentoso do mundo. Para eles é bastante atrativo e para a gente, como dirigente, amplia o mercado, amplia a visão, quebra uma barreira. Não havia essa política viva no clube. Os atletas veem que é legal, dá para trabalhar. É algo muito interessante para a gente – acredita.

Completa a lista o português António Oliveira, efetivado no comando do Athletico-PR e que, aos 38 anos, ficará na lista de “calouros” entre os técnicos de outra nacionalidade. 

CONVICÇÃO EM TRABALHO

A aposta em comandantes mais jovens do que a média e em uma ascensão gradativa também faz parte da rotina de elencos do Campeonato Brasileiro. RB Bragantino e Bahia apostarão em um trabalho de longo prazo.

Contratado em setembro de 2020, Maurício Barbieri segue no clube de Bragança Paulista. O treinador de 39 anos não só fez a equipe obter uma vaga na Sul-Americana como também tem sido crucial para a classificação às oitavas da competição internacional. 

No Bahia, o técnico Dado Cavalcanti também tem seu trabalho valorizado. Gerente de futebol do clube, Júnior Chávare aponta o que tem sido primordial para a manutenção do comandante contratado em dezembro de 2020 e campeão da Copa do Nordeste deste ano.

– Passa muito por esta convicção no trabalho realizado no dia a dia. Os resultados de campo refletem isso, mas eles não podem ser o único balizador para a permanência de um técnico no cargo. Até pelo contrário, muitas vezes o trabalho é bem feito, o grupo é muito bem gerido e a pontuação não corresponde à performance. Porém, hoje temos um grupo que compreendeu o modelo e o jeito de ser do Dado e que nos agrada muito na rotina de treinamento. Essa continuidade se dá muito pelo planejamento estabelecido – garantiu.

Chávare opinou sobre a restrição de troca de técnicos. 

– O planejamento só será alterado se não houver convicção na escolha do profissional. Para quem tiver foco no trabalho, as coisas bem delineadas, vai facilitar muito, porque este fato teoricamente dificultador facilita quem tem as situações bem estruturadas. Na maioria dos clubes acredito que não afetará não. De uma certa forma, poderá ajudar a amparar as convicções de tudo que vem sendo executado – disse.

POR SONHOS MAIORES

Voltar a ter espaço na elite do futebol nacional move os trabalhos de quem estará à beira do campo a partir deste fim de semana. Dois técnicos que conhecem bem os atalhos da competição travarão batalhas intensas a cada rodada.

Alberto Valentim comandará a primeira empreitada do Cuiabá na Série A. Segundo o vice-presidente do Auriverde, Cristiano Dresch, as passagens por clubes de ponta, pesaram para o acerto com o técnico.

– O Alberto tem trabalhos no Palmeiras, Botafogo, Vasco, Avaí. Estava há um ano fora do mercado e, assim que tivemos contato, demonstrou muito interesse em vir para o Cuiabá. Temos um relacionamento muito bom e ele começou muito bem, com título. O Alberto é um rapaz jovem, com uma mentalidade muito atualizada e por isto a gente optou por ele para ser uma das partes da nossa engrenagem  – declarou. 

Contudo, o dirigente não escondeu qual será a meta do clube mato-grossense no Brasileirão.

– Obviamente, na nossa realidade o trabalho dele vai depender muito dos resultados. O Cuiabá vai lutar pela permanência na Série A neste ano. No futebol não existe certeza, existem trabalho e resultado – frisou.

Outro treinador que retorna com mais fôlego à elite é Umberto Louzer. Marcado pelo título da Série B de 2020 com a Chapecoense, o técnico mudou de ares e está à frente do Sport desde abril deste ano.

Além de dar respaldo emocional para virar a página da perda do título pernambucano, sua luta é por deixar o Leão revigorado a ponto de se manter na elite a ponto de brigar por uma vaga na Sul-Americana. 

Outro técnico que também retorna à competição é Marquinhos Santos. Depois de passagens na elite por Coritiba, Bahia, Figueirense e Chapecoense, ele foi designado para comandar o Juventude. O clube gaúcho regressará à Série A após 13 anos.

CORRIDA CONTRA O TEMPO

A organização da edição de 2021 proporcionou uma verdadeira corrida contra o tempo no Atlético-GO. Semanas após Jorginho deixar o comando, o clube só deve, nesta sexta-feira, anunciar o seu novo treinador. A volta de Eduardo Barroca é a mais cotada.

Já a Chapecoense deixou para a última hora a mudança. A irritação com o desempenho na perda do título catarinense para o Avaí culminou na demissão de Mozart Santos. Há possibilidade da Chape, que volta à Série A neste ano, começar a competição com um interino.

SYLVINHO: EXPERIENTE COM AR DE ‘NOVATO’

Este Brasileirão reservará uma peculiaridade: um novato repleto de experiências. Sylvinho emplacou seis trabalhos como assistente, considerando Brasil e no exterior, possui licenças Uefa PRO (nível máximo de capacitação dos treinadores na Europa) e Licenças A e B da CBF.

Além disto, é marcado por seu longo período como auxiliar-técnico de Tite na Seleção Brasileira e por uma passagem no comando do Lyon (FRA).

E nesta edição, ficará nas suas mãos a luta por elevar o futebol do Corinthians, equipe na qual foi jogador e, posteriormente, auxiliar-técnico. O atual treinador do Timão vê com otimismo o panorama dos técnicos do Brasil. Porém, descarta que o fator tenha contribuído para seu retorno ao país.

– Não pesou em nenhum momento (para a vinda), mas sou a favor, porque ajuda o futebol a se desenvolver. Todos os lugares precisam, o futebol está em constante evolução. A regra é a mesma, mas está em evolução. A evolução está aí e é importante, não influenciou na vinda, mas vejo que é algo importante para o crescimento e evolução do futebol – disse.

Resta saber quais trabalhos comprovarão evolução até a reta final da competição nacional.

*Colaboraram para esta matéria os repórteres Alexandre Guariglia e Fábio Lázaro.

Informações extraídas do site O Lance!
https://www.lance.com.br/brasileirao/raio-treinadores-campeonato-brasileiro-2021.html
Autor: O Lance!

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