Morre Giuseppe Garibaldi, o "herói de dois mundos"

O revolucionário nacionalista italiano Giuseppe Garibaldi morreu em Caprera, na Itália, em 2 de Junho de 1882. Ele se notabilizou pela luta a favor da independência de Itália. Ficou conhecido como “herói de dois mundos” devido a sua participação em conflitos na Europa e na América do Sul. 

Garibaldi nasceu em 4 de julho de 1807, em Nice, que na época era parte do departamento francês dos Alpes Marítimos. Ele passou dez anos de sua vida a bordo de navios mercantes e com o tempo chegou a obter licença de capitão. 

Em 1833, enquanto comandava a escuna Clorinda, entrou em contato com a sociedade secreta Jovem Itália, que esperava alcançar a unidade italiana por meio de um levante popular. Garibaldi se uniu à causa, jurando dedicar sua vida à libertação da sua terra natal do jugo estrangeiro.

Em fevereiro de 1834 tomou parte da fracassada insurreição de Gênova, sendo condenado à morte por uma corte genovesa. Refugiou-se em Marselha e, em 1835, fugiu para a Tunísia, chegando depois ao Brasil.

No Brasil

No Rio de Janeiro, Garibaldi conheceu Bento Gonçalves, que estava preso por liderar a Revolução Farroupilha. Foi quando obteve dele uma carta de corso para aprisionar embarcações imperiais. Em 1º de setembro de 1838, ele foi nomeado capitão-tenente, comandante da marinha farroupilha.

Com a chegada da marinha farroupilha a Santa Catarina, unindo-se às tropas do exército, sob o comando geral de David Canabarro, foi possível preparar o ataque a Laguna por terra e pela água. A marinha farroupilha entrou através da lagoa de Garopaba do Sul, passando pelo rio Tubarão e atacou Laguna por trás, surpreendendo os imperiais que esperavam um ataque de Garibaldi pela barra de Laguna e não pela lagoa. 

Pouco tempo depois, o império reagiu com força total, com mais de três mil homens atacando por terra. Enquanto isto, por mar, uma frota de 13 navios, melhor equipados e experientes, iniciou a batalha naval de Laguna. Garibaldi fundeou seus cinco navios, que se bateram contra os imperiais valentemente, mas sem chances de vitória. Nos navios farroupilhas nenhum comandante ou oficial escapou com vida. O próprio Garibaldi, vendo a derrota iminente, queimou seu navio, a escuna Libertadora, e se juntou à tropa de Canabarro, que preparou a retirada de Laguna. Era o fim da marinha farroupilha.

Em Laguna, Garibaldi ainda conheceu Ana Maria de Jesus Ribeiro, conhecida depois como Anita Garibaldi, com quem se casaria e que se tornaria sua companheira de lutas na América do Sul e depois na Itália. Depois das queda de Laguna, as tropas farroupilhas tomaram o caminho de Lages para retornar ao Rio Grande do Sul. A pedido, o Bento Gonçalves dispensou Garibaldi de suas funções e ele então mudou-se para Montevidéu, no Uruguai, com Anita e seu filho Menotti Garibaldi.

De volta à Itália

Depois de retornar à Itália em 1848, ele se tornou uma figura de destaque no “Risorgimento”, um movimento para expulsar as potências estrangeiras da Itália e unificar seus vários estados em uma nação independente. Garibaldi e suas tropas de “Camisas-Vermelhas” acabaram batalhando contra forças da Áustria, França e do papa.  No ano seguinte, Anita, grávida e fragilizada, morreu em Ravena, após o casal ter que fugir de da invasão franco-austríaca a Roma.

A maior conquista de Garibaldi veio em 1860, quando liderou um grupo de voluntários conhecido como “Os Mil” em uma campanha contra o governo dos Bourbon da Sicília. Embora em menor número e desarmado, seu exército esfarrapado saiu vitorioso depois de apenas alguns meses, abrindo caminho para a criação do Reino da Itália, sob o governante Victor Emmanuel II.

Em 2 de junho de 1882, aos 74 anos, Giuseppe Garibaldi morreu em sua casinha na ilha de Caprera. Embora tenha deixado instruções detalhadas para sua cremação, seu corpo foi enterrado na ilha, onde repousa com sua última esposa e alguns de seus filhos.

Imagem: Library of Congress [Domínio público], Wikimedia Commons

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