Entre estes objetos espaciais hipotéticos, quais podem realmente existir?

Seriam poucos os astrônomos que, ao observar o céu noturno com seus telescópios durante o século 19, teriam imaginado que tipo de maravilhas cósmicas existiam pelo espaço — que vão desde estrelas tão densas que uma simples colher de chá teria o mesmo peso de uma montanha, a objetos tão compactos, porém extremamente massivos, que absolutamente nada consegue escapar de sua gravidade. Mas, afinal, quais são as chances de alguns objetos que ainda são puramente hipotéticos existirem?

Felizmente, a tecnologia já permite que os astrônomos observem o que os pontos mais distantes do universo escondem. Mesmo assim, embora pareça que nada mais pode se “esconder”, a verdade é que ainda há alguns objetos que, embora hipotéticos, vêm intrigando a ciência. Conheça alguns deles:

Podemos começar com as anãs escuras, objetos que têm chances consideráveis de existir — mas, para encontrá-las, precisamos de paciência, porque elas dependem completamente do ciclo de vida das estrelas. Quando ficam sem combustível, as estrelas como o nosso Sol estão destinadas a se tornar esferas de tamanho parecido com o da Terra, formadas por material tão compacto que cada centímetro cúbico pesaria cerca de uma tonelada. 

Enquanto brilharem com o calor que sobrou, elas recebem o nome de “anãs brancas”. Porém, em algum momento, elas vão esfriar e ficarão com temperatura em equilíbrio com aquela de fundo, e aí elas estarão totalmente escuras. Como o universo tem cerca de 13 bilhões de anos, não há motivo para procurá-las por enquanto; mas, futuramente, nosso céu será um grande “cemitério” de objetos que já foram estrelas. 

Outra possibilidade envolve os chamados “objetos de Thorne–Żytkow”, que levam o nome dos físicos Kip Thorne e Anna Żytkow; foram eles que, em 1977, fizeram os cálculos da fusão de uma supergigante vermelha e uma estrela de nêutrons sob determinados critérios. Os cálculos mostraram que, talvez, uma estrela de nêutrons poderia oscilar na gigante vermelha por alguns séculos. 

Depois, ela se fundiria com o núcleo e formaria outra estrela de nêutrons ou colapsaria, dando origem a um buraco negro. Há alguns anos, a comunidade astronômica até pensou que encontrou um exemplo deste objeto na estrela HV 2112, mas ainda não é consenso entre os pesquisadores que a observação realmente seja de um deles. Então, por enquanto, a existência destes objetos híbridos fica como provável, mas ainda é uma hipótese não confirmada.

O Modelo Padrão da Física propõe dois grandes grupos de partículas: as de Fermi, responsáveis por formar os blocos construtores da matéria, e os bósons, sendo responsáveis pelo comportamento das forças que mantêm unidos ou separam os férmions. Ao contrário destes, os bósons podem existir no mesmo lugar do espaço — mas pode acontecer de ficarem resistentes a isso; os áxions, por exemplo, são partículas repulsivas o suficiente para resistirem à sobreposição.

Então, se porventura eles forem dispostos de modo que equilibrem suas posições e estejam junto de uma nuvem de bósons — esta, que não bloqueie ou não emita luz própria —, essas “estrelas negras” de bósons poderiam ser identificadas somente pela força gravitacional que exercem. Não há evidência da ocorrência deles e as chances de existirem são baixas, mas seriam de grande ajuda no entendimento da matéria escura que, por enquanto, segue uma incógnita. 

Mesmo assim, considere que a matéria escura seja formada por partículas com gravidade própria e massa baixa; neste cenário, poderíamos imaginar o que pode afundar no núcleo de uma galáxia e formar uma enorme bola, coberta por um halo “peludo” de partículas da matéria escura; essas partículas afundariam e iriam parar antes de colapsar em um buraco negro, mas ainda seriam tão massivas quanto um milhão de sóis.

Talvez isso explique o porquê de os objetos próximos da Via Láctea não mostrarem o movimento esperado por eles, mas, de qualquer forma, ainda é preciso desvendar a matéria escura para aí sim avançar para estar “bolas peludas” de darkinos. Por fim, o maior mistério — que, aliás, é o que tem menores chances de existir — fica por conta das antiestrelas. Para o universo ser formado, cada partícula de matéria exige outra antimatéria, com carga oposta e, caso se encontrem, elas desaparecem e deixam apenas um rastro de radiação para trás. 

Ao que tudo indica, esse desaparecimento não ocorreu durante a formação do universo; portanto, uma quantidade de antimatéria pode não ter aparecido, ou talvez sumiu antes de anular todo o espaço. Curiosamente, uma estrela de antimatéria teria a mesma aparência qualquer outra no céu noturno; a única dica de sua verdadeira natureza seriam emissões de radiação gama. Além disso, os astrônomos já identificaram algumas candidatas a estas “antiestrelas”; contudo, além de terem chances baixíssimas de existir, é importante lembrar que elas podem ser simplesmente pulsares ou buracos negros, fontes de raios gama que já conhecemos.

Fonte: ScienceAlert

Informações extraídas do site CanalTech
https://canaltech.com.br/espaco/entre-estes-objetos-espaciais-hipoteticos-quais-podem-realmente-existir-186734/
Autor: Danielle Cassita

Danielle Cassita

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