Detectar HIV pelo celular? Com inteligência artificial, a ciência dá um jeito!

Para o disgnóstico de pacientes com HIV, o teste rápido de triagem, chamado RDT (Readign Decision Test) é uma das principais alternativas adotadas para a saúde pública em todo o mundo. Isso porque é um teste simples de ser feito e a resposta sai na hora; no entanto, compreender o resultado sobre a presença (ou não) do vírus da AIDS pode levantar algumas dúvidas. Pensando nisso, um grupo de pesquisadores desenvolveu um aplicativo com Inteligência Artificial (IA) que melhora a leitura dos resultados, o que pode ser uma boa solução para países mais pobres.

Desenvolvido por pesquisadores da UCL (University College London) e pelo AHRI (Africa Health Research Institute), o aplicativo também é conectado com os sistemas locais de saúde, garantindo que o indivíduo que testou positivo para o HIV possa ter acesso ao tratamento. Por enquanto, a ferramenta foi testada em zonas rurais da África do Sul. De acordo com o artigo científico publicado na revista Nature Medicine, este é o maior estudo envolvendo IA para a leitura de testes rápidos de HIV.

Mais de 100 milhões de testes de HIV são realizados em todo o mundo anualmente, o que significa que uma pequena melhoria na leitura desses resultados pode impactar a vida de milhões de pessoas, reduzindo o risco de falsos positivos e negativos. No Brasil, por exemplo, este tipo de teste é oferecido em todo o Sistema Único de Saúde (SUS), sem necessidade de encaminhamento médico. Em determinadas épocas do ano, são feitos mutirões de testagem para o vírus da AIDS com ele.

Somente no ano de 2018, o SUS distribuiu mais de 13,8 milhões de testes a todo o país, segundo o Ministério da Saúde. Se o primeiro teste der positivo para o HIV, a pessoa deve fazer um segundo, confirmando o resultado — tudo isso em alguns minutos. Caso os dois confirmem a infecção, o paciente já é encaminhado para o local de tratamento. No entanto, o sistema não funciona assim em todo o mundo. Além disso, alguém pode comprar um destes testes na farmácia e fazê-lo sozinho, em casa.

Aproveitando o potencial dos sensores dos smartphones, câmeras, capacidade de processamento e recursos de compartilhamento de dados, a equipe de pesquisadores desenvolveu um aplicativo que pode ler os resultados do teste de uma imagem obtida por usuários finais em um dispositivo móvel. Além disso, o app poderá relatar os resultados, diretamente, aos sistemas de saúde pública para uma melhor coleta de dados e cuidados contínuos.

Para validar essa ferramenta, o estudo recém-publicado examinou, inicialmente, se o aplicativo poderia auxiliar na tomada de decisões de pesquisadores de campo, enfermeiras e agentes comunitários de saúde. Dessa forma, uma equipe de mais de 60 profissionais da saúde ajudou a construir uma biblioteca de mais de 11 mil imagens de testes de HIV feitas na África do Sul. Para isso, foi desenvolvido um protocolo de captura de imagem destes testes, desenhado pela UCL e feito com um tablet da Samsung.

A equipe de pesquisadores, então, usou essas imagens como dados de treinamento para seu algoritmo de aprendizado de máquina. Dessa forma, foi possível comparar a precisão com que o algoritmo classificou as imagens como negativas ou positivas, com os usuários interpretando os resultados do teste, sem suporte técnico. Em testes, o aplicativo alcançou uma média de acerto geral de 98,9%, enquanto isso os profissionais acertaram, em média, 92,1% das leituras. Outras doenças para as quais existem testes rápidos, como malária, sífilis e tuberculose, também poderiam se beneficiar da descoberta.

Os resultados foram muito positivos, afirma uma das autoras do estudo e pesquisadora da UCL, Rachel McKendry. “Esta pesquisa mostra o impacto positivo que as ferramentas móveis de saúde podem ter em países de baixa e média renda e abre o caminho para um estudo maior no futuro”, completa McKendry.

“Ensaios que conduzimos na área descobriram que o autoteste de HIV é eficaz para atingir um grande número de adolescentes e homens jovens. No entanto, o próprio teste de HIV tem obtido pouco sucesso em vincular as pessoas à prevenção e tratamentos médicos”, explica Maryam Shahmanesh, pesquisadora e professora da UCL.

Para Shahmanesh, “um sistema digital que conecta um resultado de teste e a pessoa aos cuidados de saúde, incluindo a ligação à terapia anti-retroviral e a profilaxia pré-exposição, tem o potencial de descentralizar a prevenção do HIV”. Agora, a equipe de cientistas planeja um estudo de avaliação maior do aplicativo para verificar o desempenho do sistema com usuários de diferentes idades, gêneros e níveis de alfabetização digital.

Para acessar o estudo completo sobre o app que auxilia na leitra do resultado de testes rápidos para o HIV, publicado na revista Nature Medicine, clique aqui.

Fonte: Medical Xpress e Ministério da Saúde   

Informações extraídas do site CanalTech
https://canaltech.com.br/saude/detectar-hiv-pelo-celular-com-inteligencia-artificial-a-ciencia-da-um-jeito-187767/
Autor: Fidel Forato

Fidel Forato

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