As manifestações antibolsonaristas e a distância entre a esquerda e o povo

Coerência nunca foi o forte dos progressistas. Desde o começo da pandemia, eles assumiram a retórica aterrorizante: se você sai de casa sem a máscara ou vai no bar com os amigos, você é um irresponsável que está matando alguém.

Pois bem, a esquerda jogou a narrativa no lixo e decidiu aglomerar contra o presidente Bolsonaro, em manifestações ocorridas em algumas cidades brasileiras.

Como era de se esperar, as manifestações reuniram apenas os convertidos, gente da militância, os que internalizaram a vulgata revolucionária. Não se viu traço popular algum. O proletariado intelectual gramsciano dominou os atos e foi presença única.

Além disso, houve o corriqueiro ataque ao Cristianismo na manifestação em Teresina, em uma cena macabra digna dos piores filmes de terror.

É sintomática ausência do povo nesses protestos. A esquerda usou e abusou da retórica marxista para tentar tomar as classes populares para si, em uma empreitada que falhou miseravelmente.

Ao notar que o proletariado não estava nada interessado em empreender a revolução contra o sistema capitalista, os teóricos comunistas detectaram algo maior que o regime econômico dominante a impedir os trabalhadores de destruírem tudo: a cultura. A civilização ocidental era o novo inimigo, a nova métier esquerdista.

De que outra maneira pode se explicar a adesão das camadas populares à direita populista? Tratado como deplorable a ser corretamente domesticado pelas elites progressistas, o povo veio a ser a grande força motriz da onda direitista da última década e suas consequências mais visíveis. O povo britânico deixou o seu recado ao votar pelo Brexit, o americano ao eleger Donald Trump – e escorraçar o establishment republicano liberal – e o brasileiro ao eleger Bolsonaro. Em ambas as empreitadas estava em jogo os valores culturais que formaram a civilização ocidental, e o povo os defendeu nas ruas e nas urnas.

Vejam, por exemplo, a situação brasileira. As elites empresariais, políticas, culturais e jornalísticas são adeptas do progressismo esquerdista que virou praticamente a única pauta aceitável no debate público. Elas fazem uma severa oposição ao governo Bolsonaro – esse ainda não caiu por contar com apoio popular. Se há de fato uma luta de classes neste país, tem-se nos moldes da apontada por Raimundo Faoro: povo versus estamento burocrático. Mas ao contrário da ideia original do sociólogo petista, os papéis estão invertidos: o povo está do lado da direita, e as elites estão com a esquerda.

Sucessivas pesquisas de opinião demonstram a preferência popular pelo conservadorismo em temas como aborto, casamento gay e liberação das drogas. Todas essas pautas são rejeitadas pelo povo brasileiro, mas encontram eco nas elites e no proletariado intelectual, por isso mesmo sendo tratadas com máxima respeitabilidade pelos donos do debate público. Quem quer que ouse falar em ‘’reacionarismo das elites brasileiras’’ ou jogá-la para a direita é um mentiroso completo. O germe progressista encontra um ambiente favorável no beautiful people – não fosse por ele, tais causas não teriam a mínima relevância.

Além do distanciamento das camadas populares, outro traço domina a esquerda e foi notado nas manifestações: o ódio pelos que pensam diferente. Não por acaso seus militantes já jogaram bola com a cabeça do presidente Bolsonaro –ação em que a grande mídia teve a canalhice de dar maior destaque às supostas ameaças de morte recebidas pelos autores da peripécia que ao fato em si. A repugnância sentida pela esquerda aos valores mais caros ao povo é gritante.

O que fez a esquerda quando tomou o poder de forma absoluta? Simplesmente perseguiu e matou seus opositores. As crueldades e genocídios cometidos pelos comunistas no bloco soviético – e demais ditaduras socialistas – não deixam qualquer margem para dúvida a respeito do que ela é capaz de fazer em nome da causa. No nosso país ela tentou tomar o poder pelas armas na década de 1960, e mesmo falhando no seu objetivo, ainda derramou sangue de civis inocentes.

A luta contra o governo Bolsonaro continuará a ser empreendida pela esquerda não importando quais meios possam ser utilizados. Mesmo que o presidente tenha apoio popular, realize uma boa administração ou apresente resultados consistentes, os revolucionários imbecis passarão por cima de tudo isso em nome da querela antibolsonarista. O povo não embarcou nessa, e muito provavelmente não embarcará. Tivemos uma prova desse quadro nas últimas manifestações esquerdistas.

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